sbado 08 agosto 2015

América FC: 73 anos, uma epopeia
Glórias conquistadas, por abnegação e paixão



 

- Por Joseilton Nery Rocha

 

Neste 08 de agosto de 2015, o América FC completou 73 anos de fundação. A sua criação, em Propriá, foi fruto da idéia de um grupo de iluminados abnegados liderado por Durval Feitosa, Pedro Cardoso, Gerdiel Graça, José Rodrigues, Miguel Apolônio, Normando Lima, Eugênio Amaral e José Coutinho. Nenhum possuidor de grandes posses ou afortunados. Outro fato comum entre eles, apenas a vontade de formar uma agremiação de futebol vencedora, nas terras sergipanas. Entretanto, a instituição do América se originou de uma cisão na Diretoria do EC Propriá, aquele que viria a ser o principal rival do novo clube, desde o início, mas que teve o apogeu principalmente nas décadas de 50 e 60, nas disputas das competições, regionais, estaduais e nacionais, quando o municio de Propriá protagonizou uma significativa parcela do poderio futebolístico, em Sergipe. Tempos de atividades políticas e econômicas vigorosas do município ribeirinho do Velho Chico. Portanto, das divergências nos destinos do avoengo Propriá (nascido em 1913, o terceiro clube de futebol mais antigo sergipano), o supramencionado grupo de insurgentes fundou o América, sob as cores vermelha, verde e branca. Logo, o Tricolor da Ribeirinha foi adquirindo a simpatia e a receptividade dos propriaenses e demais moradores da região do Baixo São Francisco. Isso fez crescê-lo e alçá-lo à condição de uma potente agremiação não somente no norte, porém em todo o território de Sergipe, pela abnegação dos seus dirigentes, pelo talento dos atletas que possuía e pelo brio dos torcedores. Destaco os idos 50 e 60, novamente, quando conquistou títulos regionais e estaduais, no âmbito de aspirantes, amadores e profissionais, e representou com galhardia todos os sergipanos na Taça Brasil, em 67. Ao longo da sua bela trajetória setentona, foi notável a participação dos fundadores e dirigentes citados, bem como dos seus sucessores, patronos e conselheiros, tais como José Neto, Hidelbrando Lubambo, Hermes Oliveira, Luiz Tavares, João Batista de Melo (João do SAPS), Ermínio Cardoso, Joaquim Feitosa, Rivalfredo Torres, Isaías Aragão, Anselmo Ramos, José Manuel Freire, além dos demais abnegados anônimos, nos feitos e grandes campanhas do Tricolor. Com eles, os títulos sergipanos de campeão da Zona Norte, em 48, 54, 55, 56, 57, 58 e 59. Os troféus de campeão estadual em 66 e 2007. O de vice-campeão estadual, em 65. As taças de campeão da Série A-2, em 2006 e 2012. O triunfo da Copa dos Campeões, em 2007. As honrosas participações em certames nacionais, tais como a Taça Brasil, em 67; a Copa do Brasil, em 2008; e o Brasileirão, Série C, em 2008. No seu percurso, o América revelou inúmeros atletas talentosos para o futebol sergipano, nacional e internacional, transformados em heróis por sua apaixonada torcida. Craques fabulosos e atletas vigorosos foram decisivos, em todas as conquistas. Ouso mencionar Enário, Bobô, Dequinha, França, Geraldo, Vilson e Tiquinho, no título de campeão em 66. Cito Mica, Carlinhos Propriá, Ednaldo, Josa, Alan Dinamite, Marcos Teles e Neném, em 2007. Não poderia deixar de reconhecer aqueles talentosos que não alcançaram o título de campeão estadual, contudo conquistaram o vice-campeonato, em 65, ou triunfaram em certames regionais importantes, ao longo das décadas de 50 e 60, bem como aqueles que propiciaram grandes campanhas nos estaduais, nos idos 70. Cito Dão, Pedro Babu, Abílio, Carlos Silva e Zé Silva (meus primos, ora bolas!), Edmilson e Geofonso, anos 60; Manga, Thenisson, Gileno, Samuca, Furiba, Pereirinha, Evangelista e Pedrinho, anos 70; Quinha, Carlos Alberto, Romero, Celso, Ronaldo, Nenê Moreira, Cassinho e Isaías, anos 80. Mais um capítulo especial, em duas partes. Primeiro, ainda tive o prazer de assistir os renomados Jurinha e Maromba, que haviam brilhado na Bahia e em Alagoas. Jurinha, inclusive, campeão do único título estadual do Fluminense de Feira de Santana e com breve passagem pelo Flamengo e Palmeiras, muitos não sabem. Maromba, no potente Ypiranga do final de 60. Já em final de carreira, cada um desfilou o seu talento pelo meu Mequinha, o melhor esquadrão de futebol do norte sergipano, em todos os tempos. E, segundo, revelo uma grande frustração: não alcancei Miro, outro genial atleta, que morava numa rua bem vizinha, a Getúlio Vargas, com amigos na sua família, no entanto jamais imaginei, na minha infância, ter sido tão célebre, o quanto repassam torcedores de outros clubes sergipanos e a nossa imprensa. Deixou o futebol cedo, por conta de lesões e não haver as condições tecnológicas para a recuperação que os clubes dispõem hoje. Pelo menos, hoje, me ameniza conhecer a retidão do caráter do cidadão Miro, aqui em Aracaju. Todavia, caro leitor desta improvisada manifestação, o América FC deve bastante a sua amada torcida formada por ilustres conhecidos e muitíssimos anônimos. Sem a participação intensa e contagiante dos seus torcedores, ao longo de todo a sua caminhada, ouso afirmar que talvez não tivéssemos alcançadas as glórias que nos conduziu ao seleto grupo de clubes vitoriosos e tradicionais do futebol sergipano. Digo influência vital na obtenção dos títulos de campeão, em 1966 e 2007, bem como nos acessos à Primeira Divisão, pela presença entusiasmada em todos os estádios, naqueles períodos.

Outrora, o Tricolor da Ribeirinha cresceu embalado pelos gritos de guerra ecoados pelos inflamados americanos, durante as pelejas memoráveis na Passagem, na Vila Operária, no Etelvino Mendonça, no Sabino Ribeiro, no Jackson de Carvalho e no velho Estadual de Aracaju. Algumas vezes sob o rigoroso controle e a coação de aparato policial, em particular, nos idos 60, quando enfrentava os “poderosíssimos” Confiança e Sergipe. Não interessava, desde aquele tempo, ter o futebol propriaense e também o estanciano dominando o cenário. Um dia, o América, através dos seus dirigentes, deve reconhecer formal e institucionalmente as pujantes figuras como Roque, os irmãos Agnaldo e Nadinho, Vadinho (que também foi um voluntario atleta) e sua barulhenta buzina, a família Almeida - os irmãos Pombo e Ném e a sua esposa Aparecida, Galego, João Cruz, D. Glorinha, além de uma senhora que hoje não recordo o nome, sempre presente com seus gritos de incentivo aos atletas e xingamentos aos árbitros e adversários (risos!), no alambrado do nosso alçapão José Neto, incendiando mais ainda toda a nação tricolor. Que agora venha logo 12 de setembro, o reencontro físico com a minha paixão tricolor e a sua calorosa torcida, durante a arrancada para a primeirona contra o rival Avoengo. E juntos celebrarmos o recomeço e os seus 73 anos de glórias. Haja mais emoção! Que alcancemos a vitória contra os frita-bolinhos, para homenagearmos o velho Zé de Juca, hoje frágil, pelos seus 82 anos de idade naquele dia. “Somos ribeirinhos. Um povo lutador. Trazemos no peito o amor ao Tricolor. América, eu sou. Sou tricolor” Dedico a Pedro Cardoso, fundador, e Bobô, meu primeiro ídolo, in memoriam. A Lauro Soares, técnico e descobridor de talentos, e Zé de Juca, meu pai, que ainda resistem. Todos me ensinaram a ter uma grande paixão chamada América Futebol Clube.


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