Lauro Soares

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Nome: Lauro Soares da Silva

Técnico

 

  Ele era servente de pedreiro e trabalhava com Pedro Cardoso, um dos fundadores do América junto com Durval Feitosa e Normando, quando foi convidado para ser roupeiro do time, aceitou a proposta e conseguiu o primeiro título do Campeonato Sergipano para a cidade de Propriá.

          “Eu trabalhava de servente de pedreiro com Pedro Cardoso quando ele perguntou se eu queria ser roupeiro do América, então  pensei: ‘Já estou torcendo para este time mesmo, deixe eu me envolver de uma vez.’ Aí comecei a trabalhar não só como roupeiro, mas também na área da limpeza e conservação do gramado.”

  Nesta época, Lauro servia ao Tiro de Guerra e aprendeu dicas de preparação física com o Sargento Pimentel, que também era preparador físico do time principal do América. Assim, o roupeiro passou a comandar os trabalhos físicos do juvenil e logo depois passou de preparador a técnico, fazendo uma verdadeira renovação na equipe de base do Tricolor:

          “Eu estava no Tiro de Guerra com o Sargento Pimentel e já estava querendo uma vaga para treinar a equipe; ele foi me ensinando algumas coisas para a física e me mandando comandar o juvenil. Só que havia jogador de até 30 anos de idade jogando na base e eu não concordava com aquilo. Foi a primeira mudança que fiz: montei um time formado exclusivamente por garotos, como deveria ser. A partir de então, começamos a ganhar até do time principal e o juvenil embalou.”

  No ano de 1965, o América foi vice-campeão sergipano perdendo o título para o Confiança em pleno José Neto, hoje, Durval Feitosa. Zé Menezes disse que foi ao estádio, mas logo voltou pra casa por não ter ficado a vontade com o clima de tensão que havia lá. Segundo ele, parecia um campo de guerra e Seu Lauro, contou rindo o que se lembra daquele jogo:

          “Eu ainda estava no juvenil e de lá vi tudo o que houve na partida. O árbitro veio decidido a dar o título ao Confiança. O exército só veio para intimidar nossa torcida. Lembro-me que no final houve confusão e eu briguei com polícia, exército, jogador... Nós jogamos melhor, mas a arbitragem puxou a sardinha para o lado deles.”

  Houve, então, uma pequena crise no clube e Lauro mostrou muito oportunismo para conseguir realizar seu sonho de comandar o time principal:

          “Em uma tarde, o presidente Hidelbrando reuniu todo mundo e perguntou por quê estávamos parados. Ora, eu era roupeiro do principal e do mirim e preparador físico do juvenil, não podia perder a oportunidade.  Inventei uma ‘mentirinha’ e disse que Pimentel tinha mandado eu ficar no lugar dele enquanto ele não estava. Pronto! Gostaram do meu trabalho, Pimentel já me observava desde o juvenil e me passou o time inteiro. De roupeiro, eu passei a ser técnico do América.”

  Naquela época, Lauro integrou alguns atletas do juvenil ao profissional e os levou para disputar o estadual de 66 junto com a dupla de sucesso, Bobô e Geraldo, conseguindo ser Campeão Sergipano em cima do mesmo Confiança que os havia derrotado um ano antes:

          “Eu levei Tiquinho com apenas 15 anos e ele teve que jogar contra um monte de homens fortes do Confiança – conta Seu Lauro entre risos –, tivemos que fazer quatro partidas, empatamos a primeira em 2x2, nos dois jogos seguintes cada time ganhou um por 1x0 e por isso fomos para a melhor de quatro. O último jogo foi no Estádio de Aracaju, no domingo, tivemos que sair de Propriá às 14 horas do sábado e ficamos em São Cristóvão até a hora do jogo. Vencemos por 1x0 e fomos campeões. Foi muita alegria e comemoração em Propriá; era o primeiro título estadual da cidade.”

  No entanto, entre tantas situações inusitadas e glorificantes, parece que a que mais trouxe alegria para o técnico campeão não foi o título de Campeão Sergipano, mas um Campeonato da Zona Norte conquistado contra o maior rival, o Esporte Clube Propriá:

          “Eu achei muito engraçado. Fomos para uma decisão do Campeonato da Zona Norte contra o Propriá. Eles trouxeram um jogador de Palmeira dos Índios, o colocaram pra jogar, mas o cara estava irregular e ainda por cima foi ele quem fez o gol da vitória deles (1x0). A gente levou para o tribunal, eles perderam no tapetão e o título foi nosso. Muito engraçado! Coitados dos azul-e-branco: o único título que conseguiram conquistar, eles perderam na justiça.”

  Quando foi perguntado sobre quem era o maior adversário, ele não hesitou em responder:

           “O maior adversário, não só do América, mas de todos os times do interior, era a arbitragem. Eles já vinham com o interesse de entregar o jogo para os times da capital. Nós tínhamos jogadores muito bons e na maioria das vezes éramos os melhores em campo, mas eles sempre levavam. Lembro-me de uma situação muito engraçada: Dona Dalva Rodrigues Fernandes é e sempre foi a maior torcedora do América, teve um jogo em que ela não gostou de uma marcação do assistente, tomou a bandeira dele e começou a bater no árbitro. Eu ri demais vendo aquela cena.”

  Lauro Soares guardou muitas saudades daquela época e não pôde deixar de comparar com o que se faz no futebol de hoje:

          “Ah, eu queria que a juventude de hoje em dia pudesse ter visto o América que eu vi. Naquele tempo, ninguém ganhava dinheiro pra jogar, mas tinham muita boa vontade. Geraldo, por exemplo, trabalhava na Codevasf, saía do trabalho de carroça e chegava ao campo já com o jogo rolando; eu mandava colocar o uniforme e ele entrava no meio do jogo. Hoje em dia, falta isso. Faltam torcedores como Dona Dalva e jogadores como Geraldo, que tinham amor à camisa, amor ao América.”

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Seu Lauro nos ajudou a fazer esta matéria em 2013. Ele faleceu no dia 19 de outrubro de 2015, aos 78 anos de idade.

 

 

 

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